Realizou-se no passado dia 29 de Março o lançamento do livro “À Sombra do Pinheiro das Areias-Apontamentos para a história do Vale de Santarém”, da autoria de Francisco Martins Guerra, procurador-geral-adjunto, jubilado em 2007, que é membro dos corpos sociais da nossa Associação, ocupando o cargo de Presidente da Assembleia Geral.

A sessão decorreu na Junta de Freguesia, com muito boa assistência, cabendo a Aurélio Lopes, antropólogo, investigador, e também nosso associado, a apresentação da obra.

Do que disse Aurélio Lopes, aqui deixamos a síntese.

“O Vale que já foi objeto de estudos etnográficos e etnológicos, de historiologia bélica regional e da abordagem de algumas personalidades locais como João d´ Aldeia, carecia de um livro de história local.

Um livro de história, de preferência de fácil leitura, como é este livro de Francisco Guerra, apresentado de forma coloquial sob a forma de um diálogo “À sombra do Pinheiro das Areias”.

Lamentavelmente um elemento do nosso património, hoje particularmente deteriorado.

É uma obra que fala de coisas sérias, com rigor. De forma descontraída e ligeira (é um facto) mas não aligeirada.

De um território do Vale que foi palco de acontecimentos militares diversos e a sua população vítima involuntária dos mesmos.

Em que se sucederam três guerras  (Invasões Francesas, Guerras Liberais e Patuleia) como todas as guerras fomentadoras de miséria e morticínio.

Mas a história aqui contada é feita também de situações estáveis e enquadráveis. Que o Vale carecia de possuir registo.

Da natureza e o valor arquitetónico das inúmeras quintas do Vale, proprietários e moradores. E acontecimentos, relevantes, aí acontecidos.

Das comunicações fluviais (na Vala Real), rodoviárias e ferroviárias. Da igreja e ações eclesiásticas, seus responsáveis e património associado. E, ainda problemáticas dos dados demográficos, nominais e ocupacionais.

Tudo isto como uma estória que se vai desenvolvendo em forma de conversa e dessa maneira vai fornecendo informações históricas, políticas, sociais e administrativas, que lançam uma luz especial sobre o papel desta terra na historiologia nacional.

Afinal, uma comunidade não é só os seus filhos mais ilustres. É também aqueles que se destacam na perspetiva local. E até aqueles que se não se destacam, dão corpo à dimensão comunitária; substanciando ideias, sentires, valores, ações que compõem e mantêm (senso comum) a marca sociocultural da localidade.

E são, afinal, os intérpretes dessas situações, uns mais outros menos, uns de forma explícita outros nem tanto, que nos constituem enquanto povo e população.

Na realidade, e ao contrário do que alguma vez se ouve dizer, e mais frequentemente se sente, não há povoações (nem os povos que as compõem) boas e más.

Mas é com certeza desculpável que olhemos para aquelas comunidades em que nascemos, crescemos ou vivemos, onde temos amigos e conhecidos, possuímos lembranças risonhas e saudosas que, as consideremos como especiais, meritórias e inesquecíveis!

Pode assim dizer-se que esta obra preciosa de Francisco Guerra pretende (e consegue) colocar o Vale no mapa.

Não necessariamente no mapa geográfico, mas no mapa histórico e social!

E isso é, naturalmente, motivo de apreço para todos nós.

Afinal, é a nossa terra.

E, seja qual a matéria, estamos a falar de nós!”

O livro, editado pela Associação, esgotou a sua primeira edição, voltando a estar disponível dentro em pouco, em data de que daremos informação nos nossos canais nas redes sociais.

Está de parabéns Francisco Martins Guerra, que trouxe ao Vale de Santarém e a muito mais interessados uma obra do maior interesse e qualidade, que passa a ser, sem dúvida, um marco de referência sobre a história da nossa vila. Manifestando a nossa maior satisfação,  congratulamo-nos por esta mais valia e agradecemos ao autor o seu empenho e as fundadas expectativas quanto a futuros trabalhos.

9 de Abril 2025.